Semana Mundial do Aleitamento Materno

Amamentar

Mães são sempre impactadas por esse momento, umas mais, outras menos, para umas é um momento difícil por inúmeros e pessoais fatores, para outras as lembranças são as melhores e até saudosas.

Eu tenho experiências por ângulos diferentes:

No papel de tia, vivi um momento de muito aprendizado!

No papel de mãe, um misto de sentimentos!

E depois de passado o meu momento lactante, no papel de Psicoterapeuta infantil, estudando e atendendo vejo a magia do processo de amamentar para além do nutrir, que abrange o maternar, amar, se entregar no olhar e acalentar… Vale a pena investir neste AMOR – AMAMENTE!!!

Quando minha sobrinha nasceu fui tomada por uma felicidade e um amor que não sabia explicar. Acompanhei a gravidez, que teve complicações por conta de pressão alta, diabetes gestacional e outros fatores incômodos para a mãe. O parto foi antecipado porque no dia da consulta de rotina o medico verificou que o liquido amniótico já não estava suficiente para mantê-la. Foi um momento bem tenso, mas de grande experiência com o amor de Deus por nossa família, que nos deu uma menina prematura, linda e saudável. Apesar de muito pequena, Mirella nem ficou na UTI. Quando a família foi para casa a expectativa da nova mãe foi igual a de todas as mães, alimentar e prover seu bebê sendo para ele o melhor. Mas a pequena Mirella não queria mamar, não conseguia pegar o bico do seio e isso acabava com aquela mãe, que se esforçava em posições e horários e formas e lágrimas… Nesse quadro a tia foi tentar ajudar, sem nenhuma experiência com bebê, ou com amamentação, pouco havia segurado bebe tão pequeno. Mas aquela bebe era diferente, efêmera! Única! Sem saber direito o que fazer eu saia do trabalho no horário do almoço e ia ter com elas, segurava a bebê no colo e cantava para ela. Quando mais calma a colocava no seio da mãe e ficava ali, acariciando as duas e contendo aquele momento lindo delas. Impossível conter as lágrimas! Depois segurava para arrotar e a mãe poder respirar aliviada e relaxar.

Chegou minha vez… nem preciso dizer que me lembrei de todos aqueles dias, passaram 3 anos…

A enfermeira veio no quarto e disse que me ajudaria e me ensinaria como fazer…

Carla Vitoria chegou e foi me dada nos braços e sem que eu fizesse nenhum esforço ela achou o caminho do seio e já resolveu o assunto, mostrando mais uma vez o cuidado de Deus conosco. Que alivio!

Mas quem te ensinou isso minha filha? Dizia o pai acompanhando encantado a filha rescem nascida e esfomeada.

Bem, fomos para casa e essa fase de pegar o seio e sugar não me foi problema mas… com 3 meses, apesar de tomar canjica, fazer isso e aquilo… o leite não estava sendo suficiente, e minha pequena chorava. De fome!

Que triste! Queria tanto amamentar pelo menos ate os 6 meses e só depois introduzir outras coisinhas… Como recomendado!

Pois é, não tive leite suficiente e fiquei arrazada, me sentindo faltosa como mãe, logo no inicio do processo.

Mas fazer o quê, acontece!

E acontece mesmo e nem por isso deixamos de amar-mentar nossas crias!!

Com a Psicologia e a Psicanálise aprendi muito e entao pude ver na pratica essa aplicação. Winnicott fala de uma “mãe suficientemente boa”; então eu fazia do momento de dar a mamadeira o mesmo processo, segurava a no colo, bem próxima ao corpo e entendi o que a teoria dizia, tão importante quanto o leite e os nutrientes contidos nele, é o olhar e o demonstrar do amor da mãe ao seu bebe neste momento.

Carla Vitoria resmungava se eu conversasse enquanto a amamentava e muitos bebes o fazem mesmo, como se dissessem: Ei, esse momento é só meu e seu mamãe, olha só pra mim.

E é mesmo!! Nesta fase segundo os estudos psicanalíticos, o bebe ainda não se diferencia da mãe, ou melhor, do seio. Para ele, bebe, é tudo junto, uma coisa só. E esse olho no olho é que vai transmitir a ele segurança, aconchego, amor. Para daqui a pouco começar a entender que mamãe é separada dele, mas essa ligação bem feita no momento do aleitamento, já é um caminho andado para uma boa relação mãe-bebê.

Termino com um trecho de Winnicott que nos define bem nesse viver de mãe AMA-MENTANDO

“Uma mãe satisfatória começa com um alto grau de adaptação as necessidades do bebê. É isto o que significa ser satisfatória: a tremenda capacidade que as mães normalmente tem de se devotarem à identificação com o bebê. Quando a gravidez esta chegando ao fim, e no inicio da vida do bebe, as mães estão de tal forma identificadas com o bebe que elas praticamente sabem como ele esta se sentindo, de tal forma que podem se adaptar as necessidades dele e assim tais necessidades serão satisfeitas. O bebe passa então a ser capaz de dar continuidade a seu desenvolvimento, que é o inicio da saúde. A mãe está estabelecendo a base para saúde mental do bebe, e , mais do que a saúde, para a plenitude e a riqueza, com todos os perigos e conflitos que eles acarretam e com todo o incomodo e a falta de jeito característicos do crescimento e do desenvolvimento.”

Esse trecho faz parte de uma estudo apresentado numa conferencia sobre Evangelismo Familiar, sob os auspícios do Christian Team Work Institute of Educacion, no Kengswook College for Further Education, em 05 de junho de 1968. (Winnicott, D. W. Tudo começa em casa, SP, Martins Fontes. 2016)

Winnicott era pediatra com experiência de mais de 40 anos atendendo crianças e especializou se em psicanálise infantil e concentrou seus estudos na relação mãe lactante. Faleceu em Londres, em 1971.

One thought on “Semana Mundial do Aleitamento Materno”

  1. Também não consegui amamentar muito tempo. Mas o tempo que consegui, foi, apesar de sofrido no começo, muito especial, mágico!
    Momento único!

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