Autonomia e Educação

“A autonomia, enquanto amadurecimento do ser para si, é processo, é vir a ser.” Paulo Freire

Como Paulo Freire, tenho esperança e penso que precisamos mesmo deste otimismo, sentimentos tão necessários para mudanças. Pensamos na necessidade de nunca acomodar, “somos seres condicionados, mas não determinados”, todos nós mães, pais, psicólogos e especialmente os educadores, precisamos estar conscientes do tipo de pessoas que queremos ajudar a formar. Reconhecemos pontos fundamentais para nossa atenção sempre:

*Conseguir dosar a relação teoria/prática;

*Criar possibilidades para a criança produzir ou construir conhecimentos, ao invés de simplesmente transferir os mesmos;

*Reconhecer que ao ensinar, tembém aprendemos;

*Não fazer do processo de ensino um “depósito bancário”, onde apenas se injetam conhecimentos (informações) nos alunos! Podemos “despertar na criança a curiosidade, a busca do conhecimento, a necessidade de aprender de forma crítica”.

 

No inicio da vida, a criança desenvolve uma inteligência prática, capaz de planejar pequenas ações que deseja realizar. Por isso é bom deixar que tentem resolver sozinhas certos problemas práticos antes de ajudá-los, sendo assim, como continuar o desenvolvimento se apresentarmos conteúdos prontos, sem possibilidades de participação no processo de crescimento?!

A criança aprende no brincar, no experimentar, na exploração da curiosidade, da fantasia e vai adquirindo autonomia, cabendo os limites e regras de convivência em sociedade serem apresentados pela família, pelos educadores, de acordo com suas fases de Anomia, Heteronomia até a conquista da Autonomia.

Quando falo em fantasia, estou defendendo a capacidade criadora da criança e ou adolescente imaginar, criar situações a partir de alguma história conhecida ou inventar sua própria historia e assim descobrir respostas para questões reais, descobrir papéis e condições de representá-los, descobrir um mundo de possibilidades a partir destas vivências; O menino que brinca com uma boneca e naquele momento é o pai da boneca e a trata com respeito, a leva para a escola e cuida até a mãe voltar do trabalho. Acompanhando a brincadeira vemos o relato das relações, as determinações dos papeis que cada um vai exercer naquela brincadeira e nessa fantasia esse menino pode representar o pai que aprendeu por ver o seu pai, ou o pai que queria ter, vendo o pai do amigo e descobre as possibilidades para além das preocupações de ser ele homem ou mulher naquele momento. Descobre sua autonomia, suas possibilidades e vontades e pode se tornar um adulto capaz de escolher ser um pai presente para seus filhos.

“… as crianças não aprendem coisas, elas se transformam na convivência com o professor ou professora. Vê-se que as crianças se transformam de uma ou outra maneira. Se a situação os nega, então aprendem esse viver, no qual são negados, com todas as características de sofrimento que isso traz consigo. Encontramos mais tarde com meninos de 16 anos que não “estão nem aí”, porque sua vida não tem sentido, porque nem sequer sabem respeitar a si mesmos.” Maturana

Percebemos uma triste realidade, de jovens e crianças que não são ouvidos, não são vistos. Não lhes são dados o direito de se verem e descobrirem o que querem e o que podem ser. Não desenvolveram autonomia e auto estima, não encontram sentido na escola, na família, não sabe o que querem por não terem tido oportunidade de escolher algumas coisas simples que os poderiam ter dado experiências para o processo de escolhas, então seguem imitando um aqui o outro acolá, as vezes atitudes positivas outras nem sempre e passam pichando muros, usando drogas…

Onde paramos de enxergá-los no desenvolvimento?

Paulo Freire e Maturana nos fazem pensar sobre essas formas de educação; nos fazem pensar sobre o que e como queremos nossos filhos. É fato que não existe receita pronta, cabe a cada um tentar o seu melhor e pensar nos seres humanos que estão formando… pensantes, vistos, criativos, autônomos…

Tarefa árdua a de educar e formar cidadãos verdadeiramente humanos!!!